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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Martelo e bigorna

Não somos martelo nem bigorna, mas sim o metal bruto que precisa ser purificado e moldado. São pancadas impiedosas para nos endireitar, fogo que nos desintoxica, e vez ou outra há o repouso em bondosa água fria. Mas logo o ferreiro torna a nos moldar, entre martelo e bigorna. Se no fim nos tornarmos lâminas afiadas e fortes, terá valido a pena.

É a primeira vez que publico um texto assim n'A Caverna, afinal o que comanda aqui é poema e conto, apenas meus textos literários. Escrevo alguma coisa reflexiva vez ou outra, mas guardo para mim, ou às vezes, quando acho relevante, transformo em poema. Como hoje não estou tão inclinado a fazer versos, deixei a mente correr livre com as palavras.

Já faz algum tempo que faço essa analogia do martelo e da bigorna, e do metal que se transforma em lâmina boa, pronta para enfrentar qualquer inimigo. É claro que às vezes o aço fica rígido demais, quebradiço, e estas espadas se despedaçam antes mesmo da batalha começar. Ou ficam maleáveis demais …

Árvores secas

Cristofer entrou na cafeteria e foi direto à mesa do canto, onde havia uma mancha de umidade no papel de parede. Provavelmente ele era a única pessoa que se sentava naquele canto. Pensou em puxar um livro  para ler enquanto tomava um capuccino e comia um pedaço de torta, mas viu que a atendente que saiu do balcão para atendê-lo era aquela moça de sempre. "Amanda o nome dela? Acho que é Amanda."

- Oi! - disse Amanda, sorrindo. - Oi! - respondeu Cristofer se esforçando para sorrir também. Por fim conseguiu fingir uma expressão de contentamento, aquela que se espera que surja no rosto quando temos que conversar casualmente com alguém. - Você sumiu, pensei até que tinha se mudado. - É, faz tempo que não venho aqui. - "Sumi de tudo, sumi das pessoas, e queria que o mundo sumisse também." - Que bom que veio! - disse Amanda, empolgada, mas corou em seguida. -Quero dizer... que bom que voltou. Bom. Era capuccino e um pedaço de torta de limão, certo? - Isso mesmo! Você ain…

Viagem de uma vida parte 2

Lá se foi o pequenino,
mochila nas costas
sorriso no rosto.

Caminhou entre arbustos,
se enroscou em espinhos
mas continuou, tropeçando.

Tinha na mente a promessa
de alegrias no lado de lá.
De nada adiantou ser forte.

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Marlon Weasdor, 18/02/2013.

Poema de vontades

Tudo o que queremos é ver o brilho da explosão
de um canhão cuspindo felicidade
contra uma muralha de empecilhos.

Tudo o que desejamos é ouvir os gritos
da esperança correndo livre
pelos campos, feliz aos risos.

Tudo o que precisamos é sentir os golpes
frequentes e avassaladores
do amor e da humildade

Tudo o que esperamos é sentir o sangue
pulsando forte na veia
enquanto os lábios se tocam.

Tudo o que pedimos é poder escalar
montanhas de Serra Dourada
arcos plenos de pura alegria

Tudo o que almejamos é sentir a noite
e seu perfume de névoa
ares frescos em pulmões palpitantes.

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Marlon Weasdor, 15/02/2013