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Mostrando postagens de Outubro, 2012

Das dores do poeta

Surge aos portões do castelo distante
um monstro maldito chamado Discórdia
cujo riso sanguinolento macula
as alegrias que ficam na memória,
trazendo versos à pena do poeta
que lamenta sua amarga história,
despida de amor, esperança, fulgor,
isenta da sempre desejada glória.

Com um golpe impiedoso da vida,
disfarçada como o velho destino,
o guerreiro da caneta se entrega
a tudo aquilo que já foi escrito
e àquilo que nunca vira palavra,
e esperança vira um fio fino
quase se partindo, seu mundo ruindo,
seu mundo vazio, castelo maldito.

Assim, a dor do poeta se escreve,
a saudade se cria sozinha, livre,
e empunhar uma caneta sangrenta
vira obrigação daquele que vive
para expressar no papel o que sente,
a luz que sobre seu sorriso incide,
a sua visão distorcida do mundo,
a sábia falsidade na qual insiste.

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Marlon Weasdor, 22/10/2012


Se

E se a pena despertar
e voltar a criar versos
de alegorias sem fim?
E se a tinta escorrer
pelas beiradas do papel
levando um pouco de mim?

E se esperar o pior
nos cegar para o melhor
e enfraquecer o amor?
E se o vinho selvagem
ante o castelo do rei
escorrer sem nenhum pudor?

E se a luz se apagar
nos abandonando, enfim,
à própria sorte maldita?
E se o poeta nascer
de novo em berço de dor,
aquela velha dor querida?
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Marlon Weasdor, 22/10/2012

A morte do poeta

Renasce pelas palavras aquilo que, num dia quente e distante, surgiu pelo lápis, riscando papel, num ritual longo e hipnótico, para formar um desenho nostálgico, puro, simples, longe na imaginação.
Imaginação infantil, desejosa, ansiosa por coisas que nunca viveu e talvez nunca viverá, ou talvez, viveu em vidas distantes, como o Dragão que tanto grita querendo voar para sempre.
Dragão que urra eternamente, trancado numa caverna profunda, antro claustrofóbico que o sufoca e o pobre ser só pode gritar no escuro aconchegante que ele nunca desejou.
Escuro este que dizem ser bom, o escuro da resiliência, o escuro que omite as palavras, esconde o poeta sem temer, sem pensar no que ele pode fazer, sem perceber que ele morre.
O poeta morre quando não tem sentimentos, pois ele não é feito de palavras é feitos de dores e alegrias, escuro e claro, morte e vida, uma obra barroca perfeita empoeirada nos corredores do tempo.
E quando o poeta morre não há mais gestos, palavras, sentimentos, lápis, …

Linhas fracas de um sonho eterno

Outras linhas fracas
de mais um poema bucólico
carregado de nostalgia
e desejos de viagem
por lugares nunca vistos
mas ao mesmo tempo sentidos
onde existir não é um fardo
onde sorrir é mais simples
onde podemos olhar,
sentados numa colina,
debaixo de uma árvore,
a luz do sol tocando a terra
acariciando a grama
tingindo o mundo de luz,
calor, paz, serenidade,
sem ter hora para ir embora
sem querer ir embora
sem precisar ir embora
de pés descalços.

Outras linhas fracas
de mais um sonho eterno.
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Marlon Weasdor, 18/10/2012

Frutos

Flores que viram frutos,
frutos que prometem vida,
vida que promete fertilidade.

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Marlon Weasdor, 10/10/2012