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Mostrando postagens de Julho, 2012

Adeus ao horizonte

É hora de erguer a cabeça
e dizer adeus ao horizonte;
o pensamento voa para longe
enquanto atravessa os oceanos
num turbilhão de memórias vindouras
rumo ao futuro brilhante.

Prepare-se para o fim da vida,
do mundo como você o conhece,
pois tomaremos o mundo de assalto
e nossa voz será ouvida.

É hora de respirar fundo
e saudar o destino com alegria;
navegaremos nas marés vacilantes,
na costura das fiandeiras,
e Lá ninguém poderá conter
nosso ímpeto de vitória.
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Marlon Weasdor, 17/07/2012

Viagem de uma vida

Boa viagem, pequenino.
O dia raiou, bonito,
e sua mochila está pronta.

Atrás daquela colina.
Para lá que você deve ir,
mas tenha muito cuidado.

Você viajará na neblina,
portanto seja forte.
Há um prêmio para você.

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Marlon Weasdor, 11/07/2012

Alegoria

Existem momentos cruciais
nos quais os braços se cansam
e as armas vão ao chão.
É quando o fogo nos olhos
se transforma em incêndio
e devasta as colinas do ser.

Existem momentos especiais
nos quais a luta parece infinita
e os pulmões falham de cansaço.
É quando o semblante escurece,
e você se sente derrotado,
encolhido diante do mundo.

Existem momentos banais
nos quais os castelos desabam,
caem no abismo do mundo.
É quando você renasce,
com um vigor rejuvenescido,
pois o abismo é o berço da Terra.

E nos momentos cruciais,
quando as coisas especiais
se apagam diante de banalidades,
é hora de sair do abismo,
deixar de ser humano
e se aproximar dos deuses.

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Marlon Weasdor, 11/07/2012

Alegoria sobre dificuldades e persistência. Este poema é propositalmente alegórico, você só vai conseguir entender se colocar sua própria pessoa no lugar do eu lírico. E certamente a sua compreensão estrá restrita às suas experiências pessoais. Sei que isso se aplica a qualquer po…

Aγάπη

Amigo da dor, irmão da paixão,
ele caminha suave, sorrindo.
Observa tudo em silêncio
com seus olhos astutos e faiscantes,
cheio de ironia e calor,
mestre de todos os instantes.

Desejado, amado, querido,
primo do ódio, e sempre odiado.
Tantos cedem, tantos se entregam,
felizes ou desesperados,
criam canções e danças
para celebrá-lo, para recebê-lo.

Divindade temperamental,
sofisticado e imponente,
não conhece a humildade
nem mesmo quando religioso,
e castidade muitas vezes é esquecida
quando ele está por perto.

Possui inúmeras máscaras,
adequadas a ocasiões diferentes,
e as usa para andar entre os seres,
tocando-os com suas mãos quentes,
acariciando as almas do universo
sem distinguir mortais e imortais.

É fraterno ao lado de pais e filhos;
ardente quando vem depois com paixão;
cristalino quando amadurece;
selvagem quando está em fúria;
gélido quando não é bem vindo;
sem jamais deixar de ser leal.

Não responde a ninguém,
dono de todo o universo,
mesmo esquecido por alguns.
Ser ilumina…

Palavras de fogo

Antiga é a minha força,
o poder que me faz escrever,
o impulso que me faz cantar.
Doce, rubra insanidade,
sempre tão profunda em meu ser,
é sobre ti que irei falar.

No passado, há muitos anos
um grande ser veio ao mundo.
Corpo de escamas coberto,
suas asas rasgavam o céu.
Ao som de seu grito profundo
o destino era incerto.

Nascido entre os antigos,
grande força da natureza
que se tornou um dos imortais,
dominou o fogo eterno,
o seu símbolo de nobreza,
e reinou nas terras abissais.

Feliz, abria sua asas
no azul e jovem firmamento,
voando livre em sua paz,
até novos deuses surgirem,
com seu parco conhecimento,
deixando o Dragão para trás.

Mas ele é forte, eterno.
Salvou para mim sua ira,
guardou as palavras de fogo,
e através do véu dos mundos
em mim sua alma respira
à beira dum abismo novo.
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Marlon Weasdor, 04/07/2012

O quadro na parede

Na parede o quadro parece vivo,
com seu verde gritante
pontilhado de flores amarelas,
e contra o céu azul, montanhas,
tão grandes que rasgam as nuvens,
enquanto pássaros felizes voam por ali,
cercados por borboletas de tantas cores.

Na parede o desejo, a ambição,
uma certeza que vai perdendo a cor,
além de minhas forças, fora do alcance.
O quadro zomba de mim, tão brilhante.
Me convida, mas ao mesmo tempo desdenha,
certo de que jamais pisarei naquela grama,
certo de não serei capaz.

Em seu desafio mudo
a paisagem divina desperta orgulho,
incendeia meu peito antigo,
acende as chamas da Caverna,
de onde eu grito em fúria.
Com as entranhas ainda quentes
abandono meu repouso.

O que meu coração diz
é impronunciável, incompreensível,
mas se ele usasse palavras,
ele estaria gritando para eu voar
bem alto, acima das nuvens,
acima das esperanças,
e invadir o quadro insolente.

Lá, como em , eu serei feliz.
Naquela paisagem, que mesmo provocadora
é minha por direito, meu lar.
Se me zomba, é p…

Simplicidade

Ele escreveu
um poema sem símbolos;
ele compôs
uma canção sem refrão;
ele preferiu
um verso sem rima.

Para que ela entenda.
Para que ela saiba.
Para dizer que a ama.

Ele desenhou
um girassol sem contornos;
ele dançou
uma dança sem música;
ele cantou
uma balada sem tristeza.

Para que ela conheça.
Para que ela perceba.
Para dizer que a ama.

Ele sorriu
um sorriso sem segredos;
ele sonhou
um sonho sem frustrações;
ele falou
uma frase sem dúvidas.

Para que ela o ame.
Para que ela o beije.
Para dizer que a ama.

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Marlon Weasdor, 29/08/2011.

Nuvens

No céu escurecido surge uma luz
pálida e fraca, um Sol jocoso.
No horizonte as nuvens escuras persistem
uma parede enorme e infinita
que com desdém ímpar
zomba o astro-rei.

A luz pálida e fraca continua
lutando para sobreviver,
e do chão eu assisto a batalha outonal,
implorando para que as nuvens vençam,
para que a luz vá embora
e leve suas ofensas para longe.

Pois muitos esperam na luz,
e desejam que ela traga respostas,
quando ela apenas te mostra
aquilo que você dificilmente alcançará.
Eu, bruto, acredito na incerteza das nuvens
que escondem, mas não fazem falsas promessas.

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Marlon Weasdor, 13/04/2012

Anoitecer

Meia luz e o Sol se despede
numa mistura vívida de cores,
perfumes, toques e sons.
Azul se confunde com vermelho
sobre um fundo púrpura,
tudo envolto em luminosidade dourada.
Cheiros que a chuva deixou,
a Terra lavada que transpira vida.
A brisa que, calma e cristalina,
toca a pele, beijo suave,
agita os cabelos, arrepia.
Frio que chega sem alarde
arauto da noite que chega, tímida.

Uma linha vermelha no horizonte
e nuvens tingidas de vermelho
denunciam o sono da Luz,
enquanto o pano negro pontilhado de prata
se estende pelo firmamento,
numa simplicidade magnífica.
É nesse momento que as lendas acordam,
sendo apenas lendas ou não,
o que livra a noite do seres inferiores
e nos dá liberdade para apreciar
a luz prateada da lua
na quietude frágil da cidade.

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Marlon Weasdor, 16/04/2012

Chamas

Dentro de mim asas se abrem
magníficas e translúcidas,
na escuridão de uma caverna milenar.
O sangue começa a ferver
e minha pele fria arde de ódio,
enquanto eu vomito chamas.

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Marlon Weasdor, 16/03/2012

União

Séculos desaparecem,
sólidos em linhas históricas,
relatos de vergonhas e glórias,
os milênios evanescem.

Areias do tempo deslizam,
Cronos devora o universo,
sendo eterno, destino certo,
vozes distantes ecoam.

Anos ficam para trás, mas
Coruja e Dragão permanecem
contra o tempo tão fugaz.

Antigo amor não se desfaz,
desde o nascer do mundo tecem
seus eternos desejos de paz.

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Marlon Weasdor, 03/07/2012.

Sobre amar alguém e ter a certeza de que já amou essa pessoas várias vezes no passado.

Ódio e Maldição

Ferve o sangue nas veias de quem grita
Acende o fogo no peito de quem vê
Arde o chão sob os pés do sonhador
Explode ódio no coração, na alma.

Céu azul e sorridente a coroar
os desejos e os sonhos mais brilhantes
daqueles que estão aprisionados
na vida que subjuga os justos.

Os suspiros que ecoam pelo mundo
são os lamentos de raiva e tristeza,
a revolta contra as futilidades
que são como muitos muros e correntes.

Repulsa a arrepiar-me a pele,
sinto asco pela falsa alegria
dos seres inferiores ao meu redor,
aqueles predadores sujos e tolos.

Predadores de alma e alegria
Caçadores de espírito, malditos
Carcereiros com mentes pequenas,
Animais perdidos num mundo vazio.

Bato as asas para trazer a todos
Morte, Dor e Destruição merecidas
e o passado será sua morada
até o fim da brutal era dos homens.

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Marlon Weasdor, 05/11/2011.

Algumas palavras escritas num dia de muita raiva.