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Mostrando postagens de Março, 2012

Pântano e jardim

O vento acalmou as minhas dores vis
num momento de paz após a tormenta,
e não pediu favores ou pagamentos
naquela tarde gelada e cinzenta.
Dormiu o sofrimento
que me afligia
e desapareceu
minha agonia.

O pântano fétido chamado ego
ficou para trás numa doce ilusão,
subjugado por um encantamento
que feriu meu orgulho, levou-o ao chão.
Infértil momento
de sorriso débil,
de vã alegria
e meu amor flébil.

Agora ando num jardim primaveril,
cercado por luzes, tudo é dourado
e meus pés tocam terra firme e seca,
num lindo mas irreal mundo borrado...
Que meu mau pereça,
mesmo que eu pise
em poças de lama
nos dias de crise.

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Marlon Weasdor, 30/01/2012.

Elegia

Aqui estou eu, me olhando,
meu coração nas mãos, sangrando.
O navio chacoalha na beira do mar,
meu último refúgio a me esperar.

Abri os braços para o silêncio,
me entreguei ao último incêndio.
Quando o barco arder sobre o mar,
saberei que deverei recomeçar.

O céu é cinza, ameassador,
como o horizonte negro, opressor.
É o expurgo da minha alma velha,
que logo deverá retornar, bela.

A hora chegou, o horizonte se abriu.
Luz dourada no mar, o Sol surgiu.
Meu fogo trará purificação,
minha alma voltará em redenção.

Deitado em meu navio fúnebre
naveguei pelo oceano lúgubre,
ouvindo a elegia terna
canção da morada eterna.

Flecha em chamas cortando o céu,
acende a pira que trará o véu
da morte inexorável sobre mim,
réquiem sublime do necessário fim.

Agora eterna, minha alma espera
que o fogo devore minhas feras,
para em seguida surgir um novo ser,
um novo Eu irá viver.

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Marlon Weasdor, 26/01/2011